Sunday, December 10, 2006
Poema da aurora: O esquizofrênico
Como uma criatura que é só amor,
como eu, pode viver assim, sozinho,
absolutamente sozinho e no fragor
de uma alma se despedaçando e aos pouquinhos
não despertar em ninguém nada,
coisa alguma, nem ódio nem dada
compaixão, esse sentimento nefasto
que os tolos manifestam, de modo um tanto gasto,
e faz mais tolos os que com ele se satisfazem?
Uma criatura que é só bem e amor,
como eu, vive só, sem amor, como?, sem ninguém?
Desço, experimento as vis melancolias
de um solitário, precoce, que se dá o direito de pensar ser amado:
anda pelas mesmas estradas, faz mil vezes os mesmos caminhos e não conhece essas vias.
Como uma criatura que é só amor,
como eu, pode viver assim, sozinho,
absolutamente sozinho e no fragor
de uma alma se despedaçando e aos pouquinhos
não despertar em ninguém nada,
coisa alguma, nem ódio nem dada
compaixão, esse sentimento nefasto
que os tolos manifestam, de modo um tanto gasto,
e faz mais tolos os que com ele se satisfazem?
Uma criatura que é só bem e amor,
como eu, vive só, sem amor, como?, sem ninguém?
Desço, experimento as vis melancolias
de um solitário, precoce, que se dá o direito de pensar ser amado:
anda pelas mesmas estradas, faz mil vezes os mesmos caminhos e não conhece essas vias.
