Sunday, January 27, 2008
No post Duas caras é uma novela de bom gosto. A política, de péssimo, de sexta-feira, 25, relatei que o cartão corporativo, com o auxílio do qual a ministra Matilde Ribeiro, da Secretaria Especial para a Promoção da Igualdade Racial gastou despudoradamente 14.300 reais por mês, era exclusidade dessas autoridades, isto é, os superiores máximos de ministérios de Estado. Não é verdade. O titânico staff de servidores imediatos do presidente da República também têm direito à regalia, de acordo com o texto de Janio de Freitas, na Folha de São Paulo deste domingo, 27, cuja leitura recomendo com fervor.
Tudo o que é ruim sempre pode ficar pior. Basta escarafunchar um pouquinho. E em se mencionando este governo, muito mais lama pode aparecer por aí, neste detalhezinho que talvez nunca viesse à tona, se não fosse a impressa golpista. Escândalo é o que é, pelo menos para mim, que ainda choco-me com o lupanar caindo aos pedaços que tornam-se mais e mais a política e as instituições públicas no Brasil.
Tudo o que é ruim sempre pode ficar pior. Basta escarafunchar um pouquinho. E em se mencionando este governo, muito mais lama pode aparecer por aí, neste detalhezinho que talvez nunca viesse à tona, se não fosse a impressa golpista. Escândalo é o que é, pelo menos para mim, que ainda choco-me com o lupanar caindo aos pedaços que tornam-se mais e mais a política e as instituições públicas no Brasil.
O segredo permanece
Noticiei em post na útima quarta-feira 23 que Heathcliff Andrew Ledger, ator australiano que protagonizou junto com Jake Gyllenhaal O segredo de Brokeback Mountain, de Ang Lee, fora encontrado morto, "possivelmente" por overdose, em apartamento sobre o qual não se tinha certeza se era, de fato, dele. A grande mídia diz que sim, que Ledger morava lá. Também disse que esperava por um "massagista". Segundo nota da Revista Quem, da Editora Globo, foi uma massagista, que achou o corpo do ator no bairro nova-iorquino do Soho. E começou a rolar a bola de neve. A mulher, consoante a publicação, telefonou duas vezes para a atriz Mary-Kate Olsen, antes de chamar o serviço de resgate. Por isso, alguns tablóides sugeriram que os dois tinham um affair. A polícia confirmou que Olsen não sofreria investigações, mas o público continuou a aguardar seu pronunciamento. Ela acabou por enviar comunicado à imprensa americana, manifestando-se acerca do desaparecimento de Ledger: "Heath era um amigo. Sua morte foi uma perda trágica. Meus pensamentos estão com sua família durante este momento tão difícil", foi o que alegou a atriz.
Continuo, como qualquer um que pense pela própria cabeça, tendo minhas dúvidas, e agora mais quatro conjeturas povoam meus pensamentos:
1. Mary-Kate Olsen, que tem histórico de vício em álcool e cocaína, não será investigada por quê?
Seriam mesmo pílulas para dormir que mataram o ator? Não poderia ser cocaína, visto que foi encontrada uma nota de US$ 20 enrolada e com resíduos de alguma substância que será ainda analisada por especialistas. Se for mesmo cocaína, comprava de quem? Quem a fornecia a ele?
2. O apartamento em que foi encontrado o cadáver de Heath Ledger era ou não dele, afinal?
3. Chegou a ser veiculado que que quem o teria feito fora um mordomo, não uma empregada.
Qual dessas informações é verdadeira?
4. Quem é a tal massagista (se é que era mesmo, volto ao assunto, uma massagista)? Estar-se-ia querendo esconder uma possível homossexualidade, ou bissexualidade, vá lá, de Ledger? Logo dele, que corajosamente mergulhou de cabeça em papel tão denso em Brokeback Mountain, o que lhe valeu, de modo muito merecido, indicação da Academia de Artes Cinematográficas de Hollywood, ao Oscar?
A coisa não é, mas se tudo for averiguado como se deve, o que espero e merece a família de Heath Ledger, Michelle Williams inclusive, pode ser bem escandalosa.
Continuo, como qualquer um que pense pela própria cabeça, tendo minhas dúvidas, e agora mais quatro conjeturas povoam meus pensamentos:
1. Mary-Kate Olsen, que tem histórico de vício em álcool e cocaína, não será investigada por quê?
Seriam mesmo pílulas para dormir que mataram o ator? Não poderia ser cocaína, visto que foi encontrada uma nota de US$ 20 enrolada e com resíduos de alguma substância que será ainda analisada por especialistas. Se for mesmo cocaína, comprava de quem? Quem a fornecia a ele?
2. O apartamento em que foi encontrado o cadáver de Heath Ledger era ou não dele, afinal?
3. Chegou a ser veiculado que que quem o teria feito fora um mordomo, não uma empregada.
Qual dessas informações é verdadeira?
4. Quem é a tal massagista (se é que era mesmo, volto ao assunto, uma massagista)? Estar-se-ia querendo esconder uma possível homossexualidade, ou bissexualidade, vá lá, de Ledger? Logo dele, que corajosamente mergulhou de cabeça em papel tão denso em Brokeback Mountain, o que lhe valeu, de modo muito merecido, indicação da Academia de Artes Cinematográficas de Hollywood, ao Oscar?
A coisa não é, mas se tudo for averiguado como se deve, o que espero e merece a família de Heath Ledger, Michelle Williams inclusive, pode ser bem escandalosa.
Saturday, January 26, 2008
Deslize
À décima linha leiam os substantivos. Os cultos também erram.
Como são inconstantes os poetas, não? Graças a Atena e Minerva! A primeira versão de Centenário-I Quadrante estava boa, mas como todo escriba que se preze, fiquei encafifado com algumas coisas. Confesso que publiquei antes naquele sítio de relacionamentos, que de relacionamentos, mesmo, não tem é nada (como é que pode alguém ter 999 amigos?), em uma comunidade, até boa, desconsideradas algumas mediocridades postadas, em que se reúnem os que dedicam-se a esse maravilhoso carrasco chamado Literatura. Por falar nisso, as que mencionam o substantivo "inteligência e jornalismo" estão é uma burrice e um patrulhamento ideológico censor, e mesmo ditatorial, só.
Agora, sim, está esplêndido o poema (modéstia à parte)! Até que borbulhe-me o cérebro novamente, o que sempre acontece, e apareça a terceira adaptação. Brincadeira. Vantagens da ultrassônica rede mundial de computadores, Santa Internet, a padroeira dos atormentados e irrequietos. Como não canso de dizer, viva o neofilantropo -e bilionário para o resto da vida- Bill Gates!
Centenário-I Quadrante
Banho-me no lago negro da melancolia
em um dia de inverno, vento gélido e forte
que funde um cheiro de morte, e terno,
de tudo o que poderia conquistar, e não pude.
Qual Antígona, tento em vão enterrar os meus,
mas só é-me permitido lançá-los ao breu do mar fundo do esquecimento.
Em mim, só o sol, finado fogo que teima em queimar
no meio de todo o gelo de um sentimento acabado.
Esplim, caminho tortuoso, um não querer chegar,
nem ao menos sei quem me ama,
e se assim é a vida, a minha vida, venturoso é o dia em que morrer,
mesmo que a padecer, a soberana esteja distante ainda.
Dos desencontros, só saudade: alma infinda e férrea, que amalgama
no ponto e na medida certa o ouro e o cobre,
sou em minha própria terra apenas nobre mendigo, o que só nasce,
o que em minha face jovem desperta, aos pingos, e com vontade.
Agora, sim, está esplêndido o poema (modéstia à parte)! Até que borbulhe-me o cérebro novamente, o que sempre acontece, e apareça a terceira adaptação. Brincadeira. Vantagens da ultrassônica rede mundial de computadores, Santa Internet, a padroeira dos atormentados e irrequietos. Como não canso de dizer, viva o neofilantropo -e bilionário para o resto da vida- Bill Gates!
Centenário-I Quadrante
Banho-me no lago negro da melancolia
em um dia de inverno, vento gélido e forte
que funde um cheiro de morte, e terno,
de tudo o que poderia conquistar, e não pude.
Qual Antígona, tento em vão enterrar os meus,
mas só é-me permitido lançá-los ao breu do mar fundo do esquecimento.
Em mim, só o sol, finado fogo que teima em queimar
no meio de todo o gelo de um sentimento acabado.
Esplim, caminho tortuoso, um não querer chegar,
nem ao menos sei quem me ama,
e se assim é a vida, a minha vida, venturoso é o dia em que morrer,
mesmo que a padecer, a soberana esteja distante ainda.
Dos desencontros, só saudade: alma infinda e férrea, que amalgama
no ponto e na medida certa o ouro e o cobre,
sou em minha própria terra apenas nobre mendigo, o que só nasce,
o que em minha face jovem desperta, aos pingos, e com vontade.
Friday, January 25, 2008
Duas caras é uma novela de bom gosto. A política, de péssimo.
Excelente o capítulo de quinta-feira retrasada, 10 de janeiro, da novela Duas Caras, exibida de segunda a sábado pela Rede Globo de Televisão. Aguinaldo Silva, o autor da trama, fez clara referência ao livro A marca humana, The human stain, no original, traduzido pelo poeta e professor Paulo Henriques Brito, do norte-americano Philip Roth, um de meus escritores favoritos, quando dois alunos que, matriculados em um curso da universidade que freqüentam, nunca comparecem às aulas. Por uma incrível coincidência, absolutamente possível na vida real, ambos são negros. O professor, Francisco Macieira, vivido na história global pelo ator José Wilker, pergunta à classe se o estudante existe ou seria um zumbi. Na obra de Roth, o termo usado é spook, que tanto pode significar fantasma ou definir pejorativamente o indivíduo de ascendência africana, mais um ponto a favor para Silva, que soube adaptar muito bem a expressão para o português e cultura brasileira.
Sabendo que o mestre fizera tal comentário, Rudolph Stenzel, o tal zumbi, volta à sala de aula e pede para que Macieira repita o que dissera, o que faz sem o menor receio, não contando que Stenzel tinha na algibeira do casaco um gravador. O aluno se dirige a uma delegacia de polícia e registra queixa de racismo contra o acadêmico, que certamente será punido, quiçá expulso da instituição, como ocorreu com o personagem da obra de Roth, o septuagenário Coleman Silk, que ainda tem contra si o fato de envolver-se, mais sexual que amorosamente, com uma jovem e bela —porém maltratada— faxineira da universidade, Faunia Farley, e esconder sua origem judia. Cenas para os próximos capítulos.
Em poucos minutos de imagens, o novelista consegue provar que o teatro dos vampiros pode ser um pouco menos medíocre e provocar a reflexão, dando uma sonora bofetada nas múltiplas caras da religião pseudomoralista chamada esquerda que verdadeiramente reina não só no Brasil, como na América Latina, e reivindica exclusivamente para si a luta pelo direito duzoprimidu, preocupada na verdade só com a melhoria de suas próprias vidas, valendo-se de tudo quanto é gênero de demagogia, golpismo e picaretagem, já que não podem tornar ao menos um pouco mais digna a vida da população. O complexo de vira-latas rodrigueano vira desculpa para tudo, e os coitadinhos sempre acabam conseguindo puxar a brasa para a sua sardinha, galgando sorrateiramente cargos na esfera pública, assim como quem não quer nada, até se tornarem nada mais nada menos que presidentes da República.
Por que será que penso que o episódio em que Matilde Ribeiro, titular da Secretaria de Políticas para a Promoção da Igualdade Racial, que tem status de ministério, torrou em média, 14.300 reais por mês usando cartão de crédito corporativo, exclusivo a essas autoridades, vai ter trajetória parecida? É, dona Matilde... Vossa senhoria é mais igual que os outros, principalmente que os irmãos de raça. De fato, o brasileiro é muito racista. Não pode ver um crioulo se dando bem que já começa a perseguir. Se for mulher, tanto pior. É muito oportuno lembrar que fora descoberto que Benedita da Silva, quando ministra da Ação Social, no primeiro mandato do presidente Lula, pagou com dinheiro do Tesouro viagens à Argentina, Portugal e Estados Unidos, além de ter sido acusada de enriquecimento ilícito. À terra de Jorge Luis Borges, foi para tomar parte no "12º Café da Manhã Anual da Oração", evento religioso promovido por igrejas evangélicas argentinas, e portanto nada oficial -haja visto que a República Federativa do Brasil é laica- com nada de interesse público, nada com nada. Benedita recebeu o bilhete azul. Com Matilde, o completamente imprescindível é acontecer o mesmo. Bené hoje é secretária de Ação Social e Direitos Humanos do Rio de Janeiro. Matilde, se sair, também terá, mais cedo ou mais tarde, um lugarzinho qualquer. Infelizmente. Eles sempre acabam reaparecendo das sepulturas da irrelevância, bancados pelos relevantes, é claro. Por proselitismo ou rabo-preso mesmo, que no fim, são sinônimos. Não me cutuca, que eu não te cutuco, companheiro. Ou para passar a imagem de plurais, tolerantes, flexíveis, racionais, tudo friamente arquitetado, sem ninguém dar ponto sem nó. Uma mão lava a outra e duas lavam os países baixos e adjacências. Hoje estou por cima, mas amanhã, pode ser você, portanto lembre-se de mim e do que sei a seu respeito. Assim é a política na República da Sunga. E política não é isso.
Nunca antes na história desse país, misturou-se tão sem-vergonhamente, perdoem-me o neologismo, o público e o privado. Demorou 28 anos, mas valeu a pena. Quem sabe eles não compensem até essas quases três décadas de vagabundismo e pura encenação, bem canastrã, diga-se, ficando período duas vezes maior no puder (toc, toc, toc). Competência para tanto têm,
e ainda dispõem da ajuda da oposição -inoperante, fraca, desarticulada-, que digladia contra si mesma e não consegue sequer escolher entre Gilberto Kassab ou Geraldo Alckmin para candidato a prefeito de São Paulo. Não elegerá nem síndico de prédio no subúrbio, imagine um chefe de Estado. E Aécio Neves manda tudo às favas, e em especial suas convicções, se é que as teve algum dia, e vira, assim como quem não quer nada, mineiramente, o sucessor, eleito, de Lula, que vira ministro-chefe da Casa Civil, ou coisa que o valha, e volta em 2014, com a faixa presidencial a tiracolo e Aécio Neves como... ministro-chefe da Casa Civil, ou coisa que o valha. Fora do PSDB, evidentemente, que ele há de esquecer bem rápido.
Não, caros leitores, não tenho nenhuma bola de cristal aqui, só a argúcia e o senso de observação sempre tinindo, modéstia à parte. Aposto meu mindinho esquerdo, correndo o risco de ter apenas isso, um defeito físico, em comum com o atual inquilino do Palácio da Alvorada, se as coisas se encaminharem de modo diferente. Não é preciso ter título de PhD da Sorbonne para saber como a novela termina, muito menos se segue toda a vida assim, reprisada, reprisada, reprisada... E de novela, telenovela, novela mesmo, Aguinaldo Silva é quem entende do riscado, ainda que também tenham sido pouco surpreendentes os capítulos de sua trama.
Sabendo que o mestre fizera tal comentário, Rudolph Stenzel, o tal zumbi, volta à sala de aula e pede para que Macieira repita o que dissera, o que faz sem o menor receio, não contando que Stenzel tinha na algibeira do casaco um gravador. O aluno se dirige a uma delegacia de polícia e registra queixa de racismo contra o acadêmico, que certamente será punido, quiçá expulso da instituição, como ocorreu com o personagem da obra de Roth, o septuagenário Coleman Silk, que ainda tem contra si o fato de envolver-se, mais sexual que amorosamente, com uma jovem e bela —porém maltratada— faxineira da universidade, Faunia Farley, e esconder sua origem judia. Cenas para os próximos capítulos.
Em poucos minutos de imagens, o novelista consegue provar que o teatro dos vampiros pode ser um pouco menos medíocre e provocar a reflexão, dando uma sonora bofetada nas múltiplas caras da religião pseudomoralista chamada esquerda que verdadeiramente reina não só no Brasil, como na América Latina, e reivindica exclusivamente para si a luta pelo direito duzoprimidu, preocupada na verdade só com a melhoria de suas próprias vidas, valendo-se de tudo quanto é gênero de demagogia, golpismo e picaretagem, já que não podem tornar ao menos um pouco mais digna a vida da população. O complexo de vira-latas rodrigueano vira desculpa para tudo, e os coitadinhos sempre acabam conseguindo puxar a brasa para a sua sardinha, galgando sorrateiramente cargos na esfera pública, assim como quem não quer nada, até se tornarem nada mais nada menos que presidentes da República.
Por que será que penso que o episódio em que Matilde Ribeiro, titular da Secretaria de Políticas para a Promoção da Igualdade Racial, que tem status de ministério, torrou em média, 14.300 reais por mês usando cartão de crédito corporativo, exclusivo a essas autoridades, vai ter trajetória parecida? É, dona Matilde... Vossa senhoria é mais igual que os outros, principalmente que os irmãos de raça. De fato, o brasileiro é muito racista. Não pode ver um crioulo se dando bem que já começa a perseguir. Se for mulher, tanto pior. É muito oportuno lembrar que fora descoberto que Benedita da Silva, quando ministra da Ação Social, no primeiro mandato do presidente Lula, pagou com dinheiro do Tesouro viagens à Argentina, Portugal e Estados Unidos, além de ter sido acusada de enriquecimento ilícito. À terra de Jorge Luis Borges, foi para tomar parte no "12º Café da Manhã Anual da Oração", evento religioso promovido por igrejas evangélicas argentinas, e portanto nada oficial -haja visto que a República Federativa do Brasil é laica- com nada de interesse público, nada com nada. Benedita recebeu o bilhete azul. Com Matilde, o completamente imprescindível é acontecer o mesmo. Bené hoje é secretária de Ação Social e Direitos Humanos do Rio de Janeiro. Matilde, se sair, também terá, mais cedo ou mais tarde, um lugarzinho qualquer. Infelizmente. Eles sempre acabam reaparecendo das sepulturas da irrelevância, bancados pelos relevantes, é claro. Por proselitismo ou rabo-preso mesmo, que no fim, são sinônimos. Não me cutuca, que eu não te cutuco, companheiro. Ou para passar a imagem de plurais, tolerantes, flexíveis, racionais, tudo friamente arquitetado, sem ninguém dar ponto sem nó. Uma mão lava a outra e duas lavam os países baixos e adjacências. Hoje estou por cima, mas amanhã, pode ser você, portanto lembre-se de mim e do que sei a seu respeito. Assim é a política na República da Sunga. E política não é isso.
Nunca antes na história desse país, misturou-se tão sem-vergonhamente, perdoem-me o neologismo, o público e o privado. Demorou 28 anos, mas valeu a pena. Quem sabe eles não compensem até essas quases três décadas de vagabundismo e pura encenação, bem canastrã, diga-se, ficando período duas vezes maior no puder (toc, toc, toc). Competência para tanto têm,
e ainda dispõem da ajuda da oposição -inoperante, fraca, desarticulada-, que digladia contra si mesma e não consegue sequer escolher entre Gilberto Kassab ou Geraldo Alckmin para candidato a prefeito de São Paulo. Não elegerá nem síndico de prédio no subúrbio, imagine um chefe de Estado. E Aécio Neves manda tudo às favas, e em especial suas convicções, se é que as teve algum dia, e vira, assim como quem não quer nada, mineiramente, o sucessor, eleito, de Lula, que vira ministro-chefe da Casa Civil, ou coisa que o valha, e volta em 2014, com a faixa presidencial a tiracolo e Aécio Neves como... ministro-chefe da Casa Civil, ou coisa que o valha. Fora do PSDB, evidentemente, que ele há de esquecer bem rápido.
Não, caros leitores, não tenho nenhuma bola de cristal aqui, só a argúcia e o senso de observação sempre tinindo, modéstia à parte. Aposto meu mindinho esquerdo, correndo o risco de ter apenas isso, um defeito físico, em comum com o atual inquilino do Palácio da Alvorada, se as coisas se encaminharem de modo diferente. Não é preciso ter título de PhD da Sorbonne para saber como a novela termina, muito menos se segue toda a vida assim, reprisada, reprisada, reprisada... E de novela, telenovela, novela mesmo, Aguinaldo Silva é quem entende do riscado, ainda que também tenham sido pouco surpreendentes os capítulos de sua trama.
Wednesday, January 23, 2008
Farewell, cowboy!
Depois de saber da inesperada morte do ator e comediante Luís Carlos Tourinho, anteontem, 21, de aneurisma cerebral, por meio de fração de depoimento da colega de elenco na novela Desejo Proibido, da Rede Globo de Televisão, Nívea Maria, ao Jornal do SBT, ancorado por Carlos Nascimento, o que só pude corroborar depois de correr à internet —viva o agora retirado e engajado ao povo da pirifiria Bill Gates!—, por não saber de quem se tratava ao certo, visto que só a escutei dizer “que ele agora seria um anjo a voar por aí” (claro que tratava-se da indesejada das gentes, como definiu o poeta Manuel Bandeira o destino certíssimo de tudo quanto se possa definir pessoa, estrutura improvável, mas concreta, que une com perfeição, maior ou menor, um amontoado de carne e osso, que somem, e mistérios, esses, sim, permanentes e impassíveis de integral revelação, mesmo no além-vida), fiquei deveras chocado com o desaparecimento precoce de Heath Ledger, ator australiano nascido em 1979, indicado ao Oscar de 2006 por protagonizar, ao lado de Jake Gyllenhaal, O segredo de Brokeback Mountain. Na trama, Ledger encarnou mediunicamente Ennis Del Mar, um pastor de ovelhas durão, pobre, sisudo e seu tanto misantropo, que vive um caso de amor com o companheiro de trabalho Jack Twist, interpretado por Gyllenhaal, sedutor, de personalidade muito mais afável, bem-sucedido e que sempre quis assumir o relacionamento, hipótese que Del Mar jamais cogitara. Ledger foi encontrado nu e sem vida por um empregado em um quarto, “sob circunstâncias suspeitas”, não se sabe ainda se no próprio apartamento, no Soho, bairro dos chiques, descolados e célebres de Nova Iorque, com diversas pílulas para insônia espalhadas à cabeceira da cama na qual havia se deitado à espera de um "massagista", provavelmente um remédio chamado Ambien, para dormir, fatal quando ingerido em excesso ou misturado a bebidas alcóolicas, conforme nota da revista Veja.Ele andava deprimido por seu súbito ostracismo depois de todo o prestígio conquistado com o desempenho na fita do diretor Ang Lee. Seu derradeiro trabalho no cinema é Batman-O Cavaleiro das Trevas, ainda inédito e que o consumiu "física e mentalmente", como o vilão Coringa, o que evidencia de maneira translúcida uma incipiente decadência, em especial ao se falar de Heath Ledger, que há muito não era dado a concessões em favor da conta bancária e nada mais. O ator era pai de Matilda, fruto de seu casamento de três anos com a parceira de elenco em O segredo de Brokeback Mountain, Michelle Williams (na foto com Ledger, no alto da página, grávida da filha do casal). Personalidades como os atores Mel Gibson, John Travolta e a compatriota Nicole Kidman, que julgou a morte de Heath Ledger como uma "tragédia horrível" manifestaram publicamente seus pêsames, assim como fez o primeiro-ministro australiano, Kevin Rudd.
De fato lamentável. Ledger talvez não tenha tido a paciência e o equilíbrio para suportar as intempéries de uma carreira naturalmente sinuosa, por mais talentoso e agradável aos olhos que seja o artista, aludindo a trajetórias de igual modo funestas, como às de James Dean e Marilyn Monroe, entre (muitos) outros. Um fim melancólico, sem dúvida, como a seqüência final de Brokeback Mountain, em que Del Mar cheira a camisa de Twist, entranhada na sua, assassinado, no que se apreende por cenas em flashback , por causas homofóbicas, medo que atormentou o peão loiro por toda a vida, devido a memórias de história semelhante que vivenciou quando menino.
Que cavalgue bastante no sem-fim de cordilheiras da inescapável eternidade, agora sem temor algum.
Alguns dos filmes estrelados por Heath Ledger
- Batman -O Cavaleiro das Trevas (2008)
- Não Estou Lá (2007)
- Candy (2006)
- O Segredo de Brokeback Mountain (2005)
- Casanova (2005)
- Os Irmãos Grimm (2005)
- Lords of Dogtown (2005)
- Devorador de Pecados (2003)
- Ned Kelly (2003)
- Honra & Coragem -As Quatro Plumas (2002)
- A Última Ceia (2001)
- Coração de Cavaleiro (2001)
- O Patriota (2000)
- Two Hands (1999)
- 10 Coisas que Eu Odeio em Você (1999)
- P.C. - Um Cachorro Genial (1998)
- Assassinato em Blackrock (1997)
- Candy (2006)
- O Segredo de Brokeback Mountain (2005)
- Casanova (2005)
- Os Irmãos Grimm (2005)
- Lords of Dogtown (2005)
- Devorador de Pecados (2003)
- Ned Kelly (2003)
- Honra & Coragem -As Quatro Plumas (2002)
- A Última Ceia (2001)
- Coração de Cavaleiro (2001)
- O Patriota (2000)
- Two Hands (1999)
- 10 Coisas que Eu Odeio em Você (1999)
- P.C. - Um Cachorro Genial (1998)
- Assassinato em Blackrock (1997)
Saturday, January 19, 2008
E a vida continua, não é , mesmo? No dia em que completei meu jubileu de prata, 3 de agosto, escrevi o poema que segue abaixo, publicado, como não canso de me desculpar, com muito atraso. Externo os tormentos todos de um homem exilado de sua própria existência, angústias que tem a própria criatura humana, em maior ou menor intensidade, características das diversas fases por que passa sob o sol. E cada momento tem uma natureza bem peculiar. Não sei se irei desfechar meu próximo quarto de século. Se não houver o Centenário-II Quadrante, está aqui o I, concreto, visceralmente genuíno e eternizado.
Centenário-I Quadrante
Banho-me no lago negro da melancolia
em um dia de inverno, vento gélido e forte
que espalha um cheiro de morte e terno,
de tudo o que poderia conquistar, e não pude.
Qual Antígona, tento em vão enterrar os meus,
mas só é-me permitido lançá-los ao breu do mar fundo do esquecimento.
Em mim, só o sol, finado fogo que teima em queimar
no meio de todo o gelo de um sentimento acabado.
Esplim, caminho tortuoso, sem querer chegar
nem ao menos saber o que mirar ou aonde ir,
e se assim é a vida, a minha vida, venturoso é o dia em que morrer,
mesmo que a padecer, a soberana esteja distante ainda.
Saudade dos desencontros, alma infinda e férrea, que amalgama
no exato ponto o ouro e o cobre, sou o nobre mendigo
que vejo em meu jovem semblante, e com vontade.
Centenário-I Quadrante
Banho-me no lago negro da melancolia
em um dia de inverno, vento gélido e forte
que espalha um cheiro de morte e terno,
de tudo o que poderia conquistar, e não pude.
Qual Antígona, tento em vão enterrar os meus,
mas só é-me permitido lançá-los ao breu do mar fundo do esquecimento.
Em mim, só o sol, finado fogo que teima em queimar
no meio de todo o gelo de um sentimento acabado.
Esplim, caminho tortuoso, sem querer chegar
nem ao menos saber o que mirar ou aonde ir,
e se assim é a vida, a minha vida, venturoso é o dia em que morrer,
mesmo que a padecer, a soberana esteja distante ainda.
Saudade dos desencontros, alma infinda e férrea, que amalgama
no exato ponto o ouro e o cobre, sou o nobre mendigo
que vejo em meu jovem semblante, e com vontade.
