Thursday, January 25, 2007

 
Grande Tom!

Há exatos oitenta anos, nascia um dos maiores gênios da Música Popular Brasileira: Antônio Carlos Brasileiro de Almeida Jobim, ou simplesmente Tom Jobim, como se consagrou em todo o mundo. Compositor e intérprete de preciosidades da música do Brasil, Tom jobim encanta platéias de todo o mundo com sua poesia no mais elevado grau de refinamento, não só artístico como técnico.
Tom Jobim começou na música como pianista na Rádio Clube do Brasil, em 1949, ao mesmo tempo dedicando-se a essa função no Bar Michel, em Copacabana, no Rio de Janeiro. Não agüentando mais o tamanho desgaste de ter de dar expediente em dois empregos, opta por apenas um. Prevaleceu a boêmia, apesar de Tom saber que não chegaria a lugar algum embalando bêbados, notívagos e afins. Tom passa a se dedicar com mais afinco à teoria, e acaba indo parar na Continental, famosa gravadora nos anos 40 e 50, fazendo arranjos para Dick Farney, Dalva de Oliveira, Orlando Silva e Elizete Cardoso, apadrinhado por ninguém menos que Radamés Gnatalli, arranjador oficial da empresa.
Na trajetória profissional de Tom Jobim destaca-se a parceria com Francis Albert Sinatra no disco de mesmo nome,o segundo mais vendido do mundo, somente perdendo para " Sargent Pepper`s Lonely Heart Club Band ", dos Beatles.
O encontro com Vinícius de Moraes e Chico Buarque de Holanda também não pode ser esquecido. O grande maestro despediu-se do público e da vida a nove de dezembro de 1994.

Thursday, January 18, 2007

 

Clarice Coração Selvagem

Andei relendo nesses dias de férias " Perto do Coração Selvagem ", de Clarice Lispector.E por umadessas grandes coincidências
, e coincidências são as formas mais prosaicas de transcendência, de metafísica, dando um pulinho naquele famoso sítio de relacionamentos, cujo nome ninguém pronuncia corretamente, só o William Waack, encontrei uma comunidade que reverencia o talento inestimável da escritora que aprendeu a ser brasileira. Num dos tópicos, perguntava-se qual a melhor frase de Clarice. Começando a pensar cá com meus botões, cheguei a uma, que me marcou muito. E está exatamente nesse livro. " De onde vem essa certeza de se estar vivendo ? ", indaga uma das personagens. Esse pensamento de Clarice é perfeito como filosofia: alfineta, incomoda, instiga à reflexão, provoca. Clarice é absolutamente desconhecida no que tem de melhor: sua alma sensível, seu espírito de verdadeira artista, leve, da poeta que ensinar a sonhar, mas também a viver, sem pieguice, sem prepotência, sem lições de moral. Da mulher que ama, não ama, sofre em ambas circunstâncias. Vive. O rodopiar melífluo da pena de Clarice é afago de mãe depois da batalha mundana que cada um tem de enfrentar. Pela vida.
E aproveitando a oportunidade, também cito Oscar Wilde, que a complementa irretocavelmente: " Viver é a coisa mais rara de se achar. A maioria das pessoas não faz que existir ".

Thursday, January 04, 2007

 

Mudanças

Após breve ausência, em virtude das famigeradas festas de fim de ano, eis-me aqui de novo, meus possíveis leitores. Natal e, principalmente, o dia de ano-bom, nos fazem relembrar acontecimentos, em especial os de nossas pobres vidinhas sob o sol que nem sempre nos protege. Os felizes e, com efeito, os tristes. E tudo isso invoca o pensamento de renovação, de mudança. Garimpando no fundo de meu baú -- não mais o afetivo, e sim o de madeira e alças de ferro -- encontrei essa crônica, que apesar de decorridos três anos, é inédita. E atual, aposto, não só para mim. Tem o mesmo título do post: Mudanças.

Desço do ônibus, cruzo a rua e continuo a andar. Ponho as mãos nos bolsos, procuro o dinheiro. Passo no supermercado e faço uma pequena extragavância para um meio de semana: compro refrigerante, chocolate e aqueles salgadinhos fedorentos, mas que todo mundo adora comer. Saio de lá e levo as mãos aos bolsos novamente, tento continuar andando assim, mas não consigo, devido aos volumes que tenho de carregar.

A distância que separa o estabelecimento e minha casa é diminuta, mas mesmo assim, arregalo os olhos, e consigo perceber o mundo à minha volta.Vejo na praça pública rapazes jogarem bola,
senhoras voltando de seus compromissos religiosos, casais namorando. Continuo a caminhar, sozinho, cansado e já sentindo deveras o incômodo das cargas dos pacotes. Num determinado momento fica pior, por causa de um declive da rua.

Quase chegando, passando por um garotos que subiam numa amoreira -- só por brincadeira, já que nesta época do ano as amoras estão sempre verdes -- vejo um caminhão de mudança.Móve
-is novíssimos, eletrodomésticos de última geração. Logo aparece, sozinho, um homem de seus trinta e cinco anos, no máximo. Entra em seu automóvel e então é seguido pelo caminhão. Tenho vontade de dirigir-lhe palavra, desejar-lhe bom-dia, contudo desaparecem rápido ele e o cami-
nhoneiro.

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