Friday, March 30, 2007
Como eles se repetem ! ou Tem cheiro de maracutaia no ar !
Não fosse bastante a escandalosa situação do caos aéreo, com a qual brasileiros de todos os estratos sociais são obrigados a conviver, há ainda o risco de tudo não passar de mera mis-en-cene, de não dar em nada. Explico-me. Como eles não perdem tempo, já começa a rolar nos corredores do Parlamento articulações para que seja loteada a CPI do apagão aéreo, que tem chances reais de ser instaurada depois da decisão do ministro Celso Mello. Instalada a comissão, o governo pode indicar 15 dos 24 deputados que farão parte do processo, ansiando mesmo pela relatoria, cargo de muito maior notoriedade do que a presidência, visto que é o relator quem dá o parecer final sobre os trabalhos. E vejam só quem pode ser o eventual relator: Cândido Vacarezza, aquele mesmo, íntimo do ex-ministro-chefe da Casa Civil, José Dirceu, condenado pela Câmara por envolvimento no famigerado esquema fraudulento denominado mensalão. A oposição, mais anestesiada e ineficiente do que nunca, contentou-se coma presidência, a ser disputada pelos tucanos Otávio Leite ( RJ ) e Vanderlei Macris ( SP ), responsáveis pelo requerimento de abertura da CPI. E ainda estão em franca minoria, ou seja, ficarão de mãos atadas se, num desses conchavos integérrimos que tanto se vê, os partidos governistas decidirem que será também deles a presidência ( são sete os partidos da base aliada, que poderão indicar 12 dos 24 membros titulares da comissão, juntando-se ainda ao grupo PC do B, PDT e PSB, que podem indicar três parlamentares, provavelmente um cada. A oposição ( PSDB, o ex-PFL, agora DEM e PPS ), cada vez menor, indicará somente sete integrantes. Os nanicos PSoL e PV também poderão indicar um deputado cada.
O que isso significa ?
Para um bom entendedor, meia palavra basta. Já começo a pensar, e tenho a convicção: não sou o único, de que isso é conversa mole para boi dormir. Desconfio de tudo, principalmente se se refere a governinho mixuruca que nos engambela há cinco anos. Quem é que pode me garantir que Lula já não sabia de tudo que estava por vir, fica posando de indignado para as câmeras e em sua " massa encefálica dentro do cérebro " planejara essa viagem injustificável para os Estados Unidos com toda a antecedência ? Essa CPI vai fazer água, assim como fizeram tantas outras. E arrisco um palpite: Lula manterá no cargo o ministro da Defesa Waldir Pires, a contragosto de toda a sociedade e opinião pública, para que ele, sozinho, assuma toda a culpa, como Delúbio Soares quando do episódio de mensalão. Tudo combinado. Inclusive com Pires.Pires é o Delúbio do caos aéreo, com a vantagem de ser muito mais velho. Remodelando a marchinha sobre aquele ditador gaúcho, agora declamada para Pires: " Tira o retrato do velho de vez, bota o velho para secar..."
Sunday, March 25, 2007
Caos aéreo: o céu é o limite!
Que o transporte aéreo no Brasil arrasta-se numa angustiante sangria meses a fio todos sabemos. O que não sabíamos é que isso é muito mais velho que se imaginava. Oficialmente iniciada em setembro último, quando da colisão entre a aeronave da Gol e o jato Legacy, de que resultaram 154 mortos, a crise no setor aeronáutico só fez escancarar suas chagas: a inação governamental, a falta de infra-estrutura decente e a má-fé das companhias, todas muito bem misturadas entre si.
A pontualidade dos vôos foi a primeira vítima da hecatombe da avião brasileira. Depois, vieram as constantes " quedas no sistema ", que misteriosamente se intensificam às vésperas de feriados e fins de semana prolongados. Já se fala até, com quatro meses de antecedência, em uma "queda" próxima ao início dos jogos pan-americanos.
Uma das possíveis explicações para o colapso aéreo é o descompasso entre o número de aeronaves e o de passageiros: entre 2000 e 2006, quando a quantidade de usuários aumentou de 41,7 milhões para 57,6 milhões, a frota de aviões regrediu de 366 para 23o, um decréscimo de 37 %, fenômeno que se pode compreender do ponto de vista da decadência econômica da Varig, a maior e mais tradicional empresa aérea do país, à época. Em apenas um ano, entre 2005 e 2006, a empresa perdeu 73 aparelhos: tinha 88 e ficou com somente 15. " Na era Varig, só 5 milhões de brasileiros tinham dinheiro para voar. Hoje, com o barateamento das tarifas, calcula-se que esse número tenha triplicado ", comenta Gianfranco Beting, consultor em aviação. Com isso, empresas menores, como Gol e TAM, abocanharam clientela e, por conseguinte, mercado e mantém suas margens de lucro na estratosfera ( 15 e 7,6 %, respectivamente, quando no cenário internacional, números entre 3 e 5 % já são muito satisfatórios ), é claro que operando no limite: antes ocupavam pífios 50 % de seus assentos; hoje, o número está em 72 % e pode crescer muito mais- 89 %. Nem é preciso mencionar que isso significa aquele palavrão com que todo passageiro, o único que sai perdendo com tudo isso, tem pesadelos: overbooking.
Há solução ? Há,
* Transferir para o aeroporto de Guarulhos todos os vôos provenientes do Norte e Nordeste;
* Deixar Congonhas apenas para os vôos da ponte aérea e os de pequenas companhias;
* A construção de um terceiro aeroporto nos arredores de São Paulo.
porém...
especialistas advertem que qualquer das medidas acima a serem tomadas requerem a viabilização de linhas de trem e metrô ligando São Paulo a esses aeroportos mais distantes, unificando esforços suprapartidariamente dos governos federal, estadual e municipal. Será que eles conseguem ? Xiiiiiiiii !
Saturday, March 10, 2007
O que de fato interessa...
Após a visita do presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, ao Brasil só se pode chegar a uma triste conclusão: importantes temas da agenda econômica brasileira relacionadas àquele país passaram ao largo. Negociações sobre a exportação do etanol brasileiro para a terra do tio Sam foram prejudicadas por causa do, digamos, proselitismo, do presidente brasileiro, que entre outras metáforas rosicleres, disse que era necessário chegar ao ponto G da discussão. Coisa que não fez.
Novos rumos para o comércio desse combustível, que no Brasil é barateado por ser feito de cana-de-açúcar, são mais que necessário. Passando bem longe do tapado xiismo petista, o Brasil tem de incentivar o ingresso de capital estrangeiro na produção do álcool e investir em três coisas: pesquisa, pesquisa e pesquisa. O governo brasileiro conta, consoante seu plano de aceleração do crescimento ( PAC ), com pouco mais de R$ 17 bilhões, já incluso o capital privado. O governador de São Paulo, José Serra, defende, em artigo publicado na Folha de São Paulo, que os investimentos estrangeiros estejam voltados especialmente para a produção de álcool. Serra inclusive fez, em almoço com Bush e Lula, uma proposta em que sugere a criação de um fundo em que participem os dois países de pesquisas acerca do impacto do etanol na economia. O governo federal sabia das pretensões de Serra e, ao menos publicamente, aprovou a iniciativa. Serra, no entanto, pensa que o mais relevante não foi posto em discussão. Atacando o desmedido protecionismo norte-americano, Serra alegou que o etanol brasileiro chega aos Estados Unidos com o preço duplicado, depois de tarifado. São Paulo é responsável pela produção de 75 % do etanol, que sofre taxação de US$ 0,54 por galão ( 3,78 litros ), que vai para os Estados Unidos. Por sua vez, George Bush já disse que não há meios de rever essa tarifa antes de 2009, prazo definido pelo congresso norte-americano. Sem chegarem a avanços significativos, Serra rebateu com a declaração de que o grande mérito da visita de George W. Bush ao Brasil foi fazer um mui conveniente marketing do programa de produção de etanol no Brasil no mundo. O governador tucano anunciou ainda um programa em que destinará 150 milhões de reais para a pesquisa de gêneros de cana que privilegiem a energia em vez da sacarose, iniciativa cujo comando está com a Fundação de Amparo`a Pesquisa do Estado de São Paulo ( Fapesp ), com a parceria de instituições e empresas do governo federal, como o BNDES, por exemplo.
Friday, March 02, 2007
Ainda sobre sobre Xangai
Sofrendo os efeitos da significativa e brusca queda da Bolsa de Xangai, na terça-feira, 27, a Bolsa de São Paulo caiu 7,92 % nesta semana. Seguindo o mesmo itinerário dos mercados internacionais, a organização fechou o dia de hoje em de declínio de 2,64 %, assim como a quase totalidade das bolsas européias, que tiveram o pior desempenho semanal desde setembro de 2001. O índice Dow Jones, mais importante indicador da Bolsa de Nova Iorque, caiu 0,98 %. O Nasdaq, indicador de tecnologia, caiu 1,51 %. Na Ásia, como não podia deixar de ser, também houve queda. Em uma semana, o índice Nikkei, da Bolsa de Tóquio, sofreu uma desvalorização de 5,34 %. Só hoje, decresceu 1,35 %. Já a a bolsa chinesa, por estranho que aparente, cresceu em 1,3 %.
A América Latina parece passar relativamente ilesa pela crise; entretanto expertos recomendam cautela. A grande preocupação quando se analisa o panorama brasileiro, mais especificamente, é que o governo Lula não consiga fazer decolar o Plano de Aceleração do Crescimento ( PAC ), lançado em fins de janeiro, a fim de dar um gás na economia. Se era já difícil um possível êxito do plano com cenário internacional favorável, muito pior será se o mundo encontrar-se em franca decadência econômico-financeira. E o Brasil está sempre suscetível às temperamentalidades do capital internacional, visto que precisa rolar um quarto de sua dívida interna a cada ano e ter uma dívida pública muito elevada ( cerca de 50 % do PIB no ano passado).
