Sunday, March 25, 2007
Caos aéreo: o céu é o limite!
Que o transporte aéreo no Brasil arrasta-se numa angustiante sangria meses a fio todos sabemos. O que não sabíamos é que isso é muito mais velho que se imaginava. Oficialmente iniciada em setembro último, quando da colisão entre a aeronave da Gol e o jato Legacy, de que resultaram 154 mortos, a crise no setor aeronáutico só fez escancarar suas chagas: a inação governamental, a falta de infra-estrutura decente e a má-fé das companhias, todas muito bem misturadas entre si.
A pontualidade dos vôos foi a primeira vítima da hecatombe da avião brasileira. Depois, vieram as constantes " quedas no sistema ", que misteriosamente se intensificam às vésperas de feriados e fins de semana prolongados. Já se fala até, com quatro meses de antecedência, em uma "queda" próxima ao início dos jogos pan-americanos.
Uma das possíveis explicações para o colapso aéreo é o descompasso entre o número de aeronaves e o de passageiros: entre 2000 e 2006, quando a quantidade de usuários aumentou de 41,7 milhões para 57,6 milhões, a frota de aviões regrediu de 366 para 23o, um decréscimo de 37 %, fenômeno que se pode compreender do ponto de vista da decadência econômica da Varig, a maior e mais tradicional empresa aérea do país, à época. Em apenas um ano, entre 2005 e 2006, a empresa perdeu 73 aparelhos: tinha 88 e ficou com somente 15. " Na era Varig, só 5 milhões de brasileiros tinham dinheiro para voar. Hoje, com o barateamento das tarifas, calcula-se que esse número tenha triplicado ", comenta Gianfranco Beting, consultor em aviação. Com isso, empresas menores, como Gol e TAM, abocanharam clientela e, por conseguinte, mercado e mantém suas margens de lucro na estratosfera ( 15 e 7,6 %, respectivamente, quando no cenário internacional, números entre 3 e 5 % já são muito satisfatórios ), é claro que operando no limite: antes ocupavam pífios 50 % de seus assentos; hoje, o número está em 72 % e pode crescer muito mais- 89 %. Nem é preciso mencionar que isso significa aquele palavrão com que todo passageiro, o único que sai perdendo com tudo isso, tem pesadelos: overbooking.
Há solução ? Há,
* Transferir para o aeroporto de Guarulhos todos os vôos provenientes do Norte e Nordeste;
* Deixar Congonhas apenas para os vôos da ponte aérea e os de pequenas companhias;
* A construção de um terceiro aeroporto nos arredores de São Paulo.
porém...
especialistas advertem que qualquer das medidas acima a serem tomadas requerem a viabilização de linhas de trem e metrô ligando São Paulo a esses aeroportos mais distantes, unificando esforços suprapartidariamente dos governos federal, estadual e municipal. Será que eles conseguem ? Xiiiiiiiii !
