Thursday, January 04, 2007
Mudanças
Após breve ausência, em virtude das famigeradas festas de fim de ano, eis-me aqui de novo, meus possíveis leitores. Natal e, principalmente, o dia de ano-bom, nos fazem relembrar acontecimentos, em especial os de nossas pobres vidinhas sob o sol que nem sempre nos protege. Os felizes e, com efeito, os tristes. E tudo isso invoca o pensamento de renovação, de mudança. Garimpando no fundo de meu baú -- não mais o afetivo, e sim o de madeira e alças de ferro -- encontrei essa crônica, que apesar de decorridos três anos, é inédita. E atual, aposto, não só para mim. Tem o mesmo título do post: Mudanças.
Desço do ônibus, cruzo a rua e continuo a andar. Ponho as mãos nos bolsos, procuro o dinheiro. Passo no supermercado e faço uma pequena extragavância para um meio de semana: compro refrigerante, chocolate e aqueles salgadinhos fedorentos, mas que todo mundo adora comer. Saio de lá e levo as mãos aos bolsos novamente, tento continuar andando assim, mas não consigo, devido aos volumes que tenho de carregar.
A distância que separa o estabelecimento e minha casa é diminuta, mas mesmo assim, arregalo os olhos, e consigo perceber o mundo à minha volta.Vejo na praça pública rapazes jogarem bola,
senhoras voltando de seus compromissos religiosos, casais namorando. Continuo a caminhar, sozinho, cansado e já sentindo deveras o incômodo das cargas dos pacotes. Num determinado momento fica pior, por causa de um declive da rua.
Quase chegando, passando por um garotos que subiam numa amoreira -- só por brincadeira, já que nesta época do ano as amoras estão sempre verdes -- vejo um caminhão de mudança.Móve
-is novíssimos, eletrodomésticos de última geração. Logo aparece, sozinho, um homem de seus trinta e cinco anos, no máximo. Entra em seu automóvel e então é seguido pelo caminhão. Tenho vontade de dirigir-lhe palavra, desejar-lhe bom-dia, contudo desaparecem rápido ele e o cami-
nhoneiro.
Desço do ônibus, cruzo a rua e continuo a andar. Ponho as mãos nos bolsos, procuro o dinheiro. Passo no supermercado e faço uma pequena extragavância para um meio de semana: compro refrigerante, chocolate e aqueles salgadinhos fedorentos, mas que todo mundo adora comer. Saio de lá e levo as mãos aos bolsos novamente, tento continuar andando assim, mas não consigo, devido aos volumes que tenho de carregar.
A distância que separa o estabelecimento e minha casa é diminuta, mas mesmo assim, arregalo os olhos, e consigo perceber o mundo à minha volta.Vejo na praça pública rapazes jogarem bola,
senhoras voltando de seus compromissos religiosos, casais namorando. Continuo a caminhar, sozinho, cansado e já sentindo deveras o incômodo das cargas dos pacotes. Num determinado momento fica pior, por causa de um declive da rua.
Quase chegando, passando por um garotos que subiam numa amoreira -- só por brincadeira, já que nesta época do ano as amoras estão sempre verdes -- vejo um caminhão de mudança.Móve
-is novíssimos, eletrodomésticos de última geração. Logo aparece, sozinho, um homem de seus trinta e cinco anos, no máximo. Entra em seu automóvel e então é seguido pelo caminhão. Tenho vontade de dirigir-lhe palavra, desejar-lhe bom-dia, contudo desaparecem rápido ele e o cami-
nhoneiro.
