Thursday, January 18, 2007
Clarice Coração Selvagem
Andei relendo nesses dias de férias " Perto do Coração Selvagem ", de Clarice Lispector.E por umadessas grandes coincidências
, e coincidências são as formas mais prosaicas de transcendência, de metafísica, dando um pulinho naquele famoso sítio de relacionamentos, cujo nome ninguém pronuncia corretamente, só o William Waack, encontrei uma comunidade que reverencia o talento inestimável da escritora que aprendeu a ser brasileira. Num dos tópicos, perguntava-se qual a melhor frase de Clarice. Começando a pensar cá com meus botões, cheguei a uma, que me marcou muito. E está exatamente nesse livro. " De onde vem essa certeza de se estar vivendo ? ", indaga uma das personagens. Esse pensamento de Clarice é perfeito como filosofia: alfineta, incomoda, instiga à reflexão, provoca. Clarice é absolutamente desconhecida no que tem de melhor: sua alma sensível, seu espírito de verdadeira artista, leve, da poeta que ensinar a sonhar, mas também a viver, sem pieguice, sem prepotência, sem lições de moral. Da mulher que ama, não ama, sofre em ambas circunstâncias. Vive. O rodopiar melífluo da pena de Clarice é afago de mãe depois da batalha mundana que cada um tem de enfrentar. Pela vida.
E aproveitando a oportunidade, também cito Oscar Wilde, que a complementa irretocavelmente: " Viver é a coisa mais rara de se achar. A maioria das pessoas não faz que existir ".
