Saturday, January 19, 2008
E a vida continua, não é , mesmo? No dia em que completei meu jubileu de prata, 3 de agosto, escrevi o poema que segue abaixo, publicado, como não canso de me desculpar, com muito atraso. Externo os tormentos todos de um homem exilado de sua própria existência, angústias que tem a própria criatura humana, em maior ou menor intensidade, características das diversas fases por que passa sob o sol. E cada momento tem uma natureza bem peculiar. Não sei se irei desfechar meu próximo quarto de século. Se não houver o Centenário-II Quadrante, está aqui o I, concreto, visceralmente genuíno e eternizado.
Centenário-I Quadrante
Banho-me no lago negro da melancolia
em um dia de inverno, vento gélido e forte
que espalha um cheiro de morte e terno,
de tudo o que poderia conquistar, e não pude.
Qual Antígona, tento em vão enterrar os meus,
mas só é-me permitido lançá-los ao breu do mar fundo do esquecimento.
Em mim, só o sol, finado fogo que teima em queimar
no meio de todo o gelo de um sentimento acabado.
Esplim, caminho tortuoso, sem querer chegar
nem ao menos saber o que mirar ou aonde ir,
e se assim é a vida, a minha vida, venturoso é o dia em que morrer,
mesmo que a padecer, a soberana esteja distante ainda.
Saudade dos desencontros, alma infinda e férrea, que amalgama
no exato ponto o ouro e o cobre, sou o nobre mendigo
que vejo em meu jovem semblante, e com vontade.
Centenário-I Quadrante
Banho-me no lago negro da melancolia
em um dia de inverno, vento gélido e forte
que espalha um cheiro de morte e terno,
de tudo o que poderia conquistar, e não pude.
Qual Antígona, tento em vão enterrar os meus,
mas só é-me permitido lançá-los ao breu do mar fundo do esquecimento.
Em mim, só o sol, finado fogo que teima em queimar
no meio de todo o gelo de um sentimento acabado.
Esplim, caminho tortuoso, sem querer chegar
nem ao menos saber o que mirar ou aonde ir,
e se assim é a vida, a minha vida, venturoso é o dia em que morrer,
mesmo que a padecer, a soberana esteja distante ainda.
Saudade dos desencontros, alma infinda e férrea, que amalgama
no exato ponto o ouro e o cobre, sou o nobre mendigo
que vejo em meu jovem semblante, e com vontade.
