Friday, February 23, 2007
Nós já vimos esse filme...
É preocupante o que o relatório que a Agência Internacional de Energia Atômica, a AIEA, divulgou ontem, 22 de fevereiro, acerca da futura situação político-econômica do Irã. Consoante o documento, o Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas está autorizado a começar a discutir a adoção de sanções mais duras contra aquele país. Apregoa também que o Irã desrespeitou o ultimato estabelecido na antevéspera do Natal passado em que se exigia que fossem interrompidas as atividades relacionadas ao enriquecimento de urânio. Os iranianos dizem precisar dar seguimento a esses trabalhos, já em larga escala, para que possam deste modo abastecer as usinas, que ainda estão em construção. Mas suspenderam o reprocessamento, expediente pelo qual se chega ao plutônio, matéria-prima costumeira da bomba.
Nicolas Burns, subsecretário de Estado americano, declarou que já está marcada para segunda-feira, 26, uma reunião com políticos dos Estados Unidos, Reino Unido, Rússia, China e França, os cinco países com assento permanente no CS, para que se discuta que medidas tomar contra Teerã. " Esperamos que o Irã volte a ser repudiado pelo CS ", disse Burns. O relatório é assinado pelo presidente da AIEA, Mohamed el-Baradei, e diz que já foram instaladas duas cascatas de 164 centrífugas na usina de Natanz, com planos de virem mais duas.
O Irã tem meios de dificultar o acesso ao petróleo por parte dos maiores países ocidentais e arrastar para o conflito, num terrível efeito dominó, nações árabes como Turquia, Arábia Saudita e Síria. China e Rússia mostram-se igualmente ameaçadas, não só com a postura iraniana, como também pela grande possibilidade do mandatário norte-americano, George W. Bush, ter a mesma reação quando da guerra do Iraque: ignorar a ONU e a opinião pública e partir para o ataque.
O filme se repete, mas não a História. A História só se repete como farsa. Assim como a mais nova velha provável guerra que está para acontecer.
