Friday, June 22, 2007

 

Aos amigos, presentes, ausentes, vindoiros e, principalmente, verdadeiros

Depois de quase três meses de um silêncio forçado, faço uma média com os possíveis leitores, dentre eles a maior parte de amigos (espero) e publico um mês antes do dia do amigo um texto de minha autoria sobre a amizade. Fiquem com ele.

Consoante o pensamento de Epicuro, filósofo com cujas idéias alinho-me perfeitamente, a amizade é algo fundamental na existência humana. Nascemos e morremos sós, e isso já é solidão suficiente: temos de procurar amparo de alguma forma neste ínterim, ainda que saibamos que não é possível estarmos acompanhados de nossos amigos todo o tempo. A criatura humana, por ser tão frágil, valoriza mais o sentimento de poder contar com alguém do que a amizade, propriamente.
"O que os olhos não vêem, o coração não sente". Como todo dito popular, com efeito este tem fundo de verdade. Os amigos com os quais perdemos os vínculos tornam-se, aos poucos, doces lembranças e nada mais. Ainda que não os odiemos, não mais os amamos. Vivem em nossa memória afetiva como gatos, que após muitos anos não conseguem mais abandonar o aconchego de um lugar aprazível, como a parte inferior da cama de seu dono, e não como o cão, que segue-o aonde quer que vá, esteja ele alquebrado fisicamente, falido ou solitário. Muitas vezes até os inimigos são mais saudáveis que os amigos, por nos mostrarem no que precisamos mudar. Mudar para sermos melhores. E sermos melhores para termos mais amigos.

Comments: Post a Comment



<< Home

This page is powered by Blogger. Isn't yours?