Wednesday, April 23, 2008
Caso Isabella-Perguntar não ofende
Devido à grande repercussão do homicídio da menina Isabella de Oliveira Nardoni, 5, cujo pai, Alexandre Nardoni, 29, e a mulher dele, Anna Carolina Jatobá, 24, são os principais -e únicos- suspeitos, no último dia 29, há quase um mês, portanto, atrevo a postar questões relevantes, algumas já repetidas à exaustão por todos os veículos de imprensa, que angariaram com tal medida valiosos pontos nos índices de verificação de audiência, mas nem por essa razão inúteis ou desnecessárias: provocam a tão fundamental reflexão sobre a barbárie e a incredulidade intrínsecas ao funesto episódio. Contudo, outras estão, modestamente, banhadas no mais completo e assombroso ineditismo, como podem constatar abaixo.
I. Como Anna Carolina Jatobá explica o fato de as marcas no pescoço de Isabella serem compatíveis com o formato e o tamanho de suas mãos?
II. Que explicação Alexandre Nardoni pode dar para a evidência de que a pegada encontrada na cama foi feita com um chinelo que, tudo leva a crer, pertencia a ele?
III. Não é muita coincidência que Isabella tenha sido carregada por um adulto com estatura semelhante a de Alexandre Nardoni?
IV. De que maneira Alexandre Nardoni explica terem sido encontradas fibras de náilon da grade de proteção junto à janela em sua camiseta, que só puderam se fixar à roupa do indiciado graças a um movimento de pressão, como ele se debruçasse, e não apenas se pusesse próximo à janela?
V. O que fez Isabella de tão grave na festa a que compareceu com o pai e a madrasta na noite de 29 de março?
VI. Se o sangue encontrado no assoalho do Ford Ka de Alexandre Nardoni for de outra pessoa que não da filha, e ele permanece dizendo que não é de Isabella, de quem seria?
VII. Por que o casal demorou 14 minutos para acionar o resgate? Por que telefonou antes para a irmã, Cristiane Nardoni?
VIII. Por que teriam brigado Alexandre Nardoni e a mulher, Anna Carolina Jatobá, de acordo com o que relataram ter acontecido na noite do crime por testemunhas?
IX. O que explica Alexandre usar de expedientes tão violentos com os filhos, como suspender o filho mais velho, Pietro, 3 anos, no ar e o soltado no chão, como forma de repreendê-lo depois de uma briga com a irmã?
X. Por que Alexandre Nardoni tentou ocultar e adulterar provas, como a fralda que foi usada para envolver a menina, lavada e pendurada no varal do apartamento, na qual ainda foi possível encontrar vestígios de sangue?
II. Que explicação Alexandre Nardoni pode dar para a evidência de que a pegada encontrada na cama foi feita com um chinelo que, tudo leva a crer, pertencia a ele?
III. Não é muita coincidência que Isabella tenha sido carregada por um adulto com estatura semelhante a de Alexandre Nardoni?
IV. De que maneira Alexandre Nardoni explica terem sido encontradas fibras de náilon da grade de proteção junto à janela em sua camiseta, que só puderam se fixar à roupa do indiciado graças a um movimento de pressão, como ele se debruçasse, e não apenas se pusesse próximo à janela?
V. O que fez Isabella de tão grave na festa a que compareceu com o pai e a madrasta na noite de 29 de março?
VI. Se o sangue encontrado no assoalho do Ford Ka de Alexandre Nardoni for de outra pessoa que não da filha, e ele permanece dizendo que não é de Isabella, de quem seria?
VII. Por que o casal demorou 14 minutos para acionar o resgate? Por que telefonou antes para a irmã, Cristiane Nardoni?
VIII. Por que teriam brigado Alexandre Nardoni e a mulher, Anna Carolina Jatobá, de acordo com o que relataram ter acontecido na noite do crime por testemunhas?
IX. O que explica Alexandre usar de expedientes tão violentos com os filhos, como suspender o filho mais velho, Pietro, 3 anos, no ar e o soltado no chão, como forma de repreendê-lo depois de uma briga com a irmã?
X. Por que Alexandre Nardoni tentou ocultar e adulterar provas, como a fralda que foi usada para envolver a menina, lavada e pendurada no varal do apartamento, na qual ainda foi possível encontrar vestígios de sangue?
Evitei por muito tempo entrar em terreno tão arenoso e que não me diz respeito em nada, ainda que me ofenda muito como ser humano, condição a que o assassino -ou assassinos- também se submete, por saber, ou melhor, fazer idéia da dor que deve sentir uma mãe que perde sua filha, única, recém saída dos cueiros e doce e carinhosa como só as mais elevadas criaturas angelicais podem ser. Também recusei abordá-lo de pronto por, precisamente, envolver acusações de foro tão acintoso a duas pessoas do convívio íntimo de Isabella. Minha praia é outra, como sabem, entretanto todos temos nossas inquietações de alma, ainda mais em se tratando de circunstâncias de tal maneira eivadas de paixão, na acepção nietzschiana do termo. Solto aqui as feras que unhavam-me o sótão no que tange a esta perversidade. Que é demasiado humana, sim, desgraçadamente.
