Saturday, January 24, 2009
Poema do dia: Contradições fundamentais de um condenado
Sou qualquer coisa que não eu mesmo.
Sou o acúmulo de sujeira e pó de meus fracassos
Ancestrais, aqueles que nem conheço e
Que me fazem chorar como homem feito.
Sou a encarnação do colapso.
Ah! meu Deus, como eu queria
Ter sido outro, que a vida
Tivesse sido outra.
Mas não pude, não foi possível.
Um homem arruinado, uma alma
Despedaçada, um corpo maltratado pelo tempo,
Olhos que se embaciam com mais freqüência
Do que eu desejava.
Não pertenço ao mundo que me cerca:
Tudo é-me estranho, escuro,
Frio, distante.
Vim a este mundo devido a um mero acaso
E assim nele sigo, por covardia e por um medo louco
De obedecer a meus instintos mais hediondos.
E por estar alijado
Desse mesmo mundo que me rodeia
Construo o meu próprio mundo,
Um mundo que também me é desconhecido,
Um mundo que poderia vislumbrar tão fácil
Quanto o simples abrir de uma janela,
Que vive cerrada e me provoca
Um calor infernal.
Nunca cheguei ao parapeito,
Não por falta de curiosidade, mas
Por falta de vontade.
Quis um dia pôr a cara para fora
E sentir o hálito alvo e fresco
Do sol da manhã que se anunciava.
Não havia sol, não havia sequer uma manhã, nunca houve!
Era tudo névoa, era tudo esquecimento.
Imaginei encontrar a felicidade,
Essa coisinha besta, tão reivindicada por todos;
No entanto, só o que vi
Foi o sono amaciado por aguardente
De alguém que dormia no chão da realidade,
Ao relento.
E um pássaro, a voar tão alto, e tão longe
E tão inalcançável, que se perdia
Em uma franja azul desbotada
No telhado do céu sem limites.
O mundo inteiro existe:
O pássaro, o bêbado, o aguardente.
Menos eu.
Sou o acúmulo de sujeira e pó de meus fracassos
Ancestrais, aqueles que nem conheço e
Que me fazem chorar como homem feito.
Sou a encarnação do colapso.
Ah! meu Deus, como eu queria
Ter sido outro, que a vida
Tivesse sido outra.
Mas não pude, não foi possível.
Um homem arruinado, uma alma
Despedaçada, um corpo maltratado pelo tempo,
Olhos que se embaciam com mais freqüência
Do que eu desejava.
Não pertenço ao mundo que me cerca:
Tudo é-me estranho, escuro,
Frio, distante.
Vim a este mundo devido a um mero acaso
E assim nele sigo, por covardia e por um medo louco
De obedecer a meus instintos mais hediondos.
E por estar alijado
Desse mesmo mundo que me rodeia
Construo o meu próprio mundo,
Um mundo que também me é desconhecido,
Um mundo que poderia vislumbrar tão fácil
Quanto o simples abrir de uma janela,
Que vive cerrada e me provoca
Um calor infernal.
Nunca cheguei ao parapeito,
Não por falta de curiosidade, mas
Por falta de vontade.
Quis um dia pôr a cara para fora
E sentir o hálito alvo e fresco
Do sol da manhã que se anunciava.
Não havia sol, não havia sequer uma manhã, nunca houve!
Era tudo névoa, era tudo esquecimento.
Imaginei encontrar a felicidade,
Essa coisinha besta, tão reivindicada por todos;
No entanto, só o que vi
Foi o sono amaciado por aguardente
De alguém que dormia no chão da realidade,
Ao relento.
E um pássaro, a voar tão alto, e tão longe
E tão inalcançável, que se perdia
Em uma franja azul desbotada
No telhado do céu sem limites.
O mundo inteiro existe:
O pássaro, o bêbado, o aguardente.
Menos eu.
